Por Luisa Marx / Culturaria
Não é a primeira vez que falo sobre videoarte por aqui. E existe uma razão especial para isso. É natural que a arte se desenvolva de acordo com o avanço tecnológico de cada época. Marshall Macluhan, um dos maiores pensadores do século XX, já se referia em 1964 aos meios de comunicação como extensões do homem.

O público falando com Gary Hill via Skype.
O MIS São Paulo tem papel fundamental nessa nova fase da arte contemporânea, estando aberto a todo tipo de inovação. A promessa de inauguração do MIS Rio de Janeiro, para daqui a dois anos, em meio à praia de Copacabana, vem confirmar o passo que o Brasil está dando em favor da promoção da arte tecnológica e híbrida.
Gary Hill é dos um artistas que despontou na década de 70 como um dos primeiros expoentes da videoarte no mundo. Seu trabalho vai desde esculturas ao uso de mídias eletrônicas para a composição de instalações multimídia. Suas obras geralmente enfocam o corpo humano, a exploração dos sentidos e do espaço onde suas obras estão inseridas, e a interatividade com o público.
Quando entramos numa galeria de arte estamos habituados a observar, cercar as obras, atrás, à frente, dos lados, para perceber todos os ângulos de visão que nos são oferecidos. No cinema, ou assistindo televisão, estamos postados frente a tela. E nada mais nos é oferecido além de observar.
A videoarte fundamenta-se na mudança desse ponto de vista, fundindo as características naturais da observação nesses dois níveis. Numa exposição de videoarte nós observamos e andamos por entre as obras, mas somos surpreendidos por elas. E muitas vezes elas passam por nós, como em “Unconditional Surrender”, feita por Gary para o Espaço Redondo do MIS. “O mundo virtual atropela a gente no real. São 270 graus de situações em movimento”, diz Marcello.
O barato dos trabalhos de Hill é a possibilidade de um novo tipo de sensação, onde a sequencia de imagens e sons que os vídeos projetam criam uma movimentação que invade a galeria e torna a experiência do observador mais dinâmica.
A mostra “Gary Hill: Circumstances/Circunstâncias” não é uma retrospectiva do autor, afirma o curador Marcello Dantas. “Foram escolhidas obras de 1996 pra cá, período em que Gary passou a trabalhar com o limite do olhar para o outro, com o limite corporal, físico”. (mais…)


Circumstances/Circunstâncias. A mostra de Gary Hill, um dos precursores da videoarte mundial, apresenta a fusão entre palavra e imagem. A exposição é composta por cinco videoinstalações. Hill utiliza o vídeo para criar narrativas complexas e não-lineares, exigindo muitas vezes a interação com o público, na criação de significados ou por meio da inversão de papéis entre quem vê e quem é visto.
Édipus Rex. O novo espetáculo da Cia. Corpos Nômades, mistura as linguagens da dança contemporânea, teatro, música e videoarte, com elementos naturais das culturas do Hip-Hop, do grafite e do Carnaval. O enredo conta a famosa história de Édipo, em que o filho mata o pai e casa-se com a própria mãe, abordando temas humanos e existenciais.
Experimentando Espaços. Uma mostra coletiva, a céu aberto, está sendo realizada no jardim do Museu da Casa Brasileira. Dez artistas plásticos reservaram, cada um, um pedaço do jardim para desenvolver peças de arte contemporânea, como esculturas e instalações, destacando questões referentes ao campo do design e da arquitetura.