Augusta: uma companhia que vale a caminhada

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Por Alexandre Osser / Culturaria

Se existe um lugar em São Paulo que consegue expressar o sentimento que tenho pela cidade, é a rua Augusta. Cada vez que ando por lá descubro novos detalhes.

Os contrastes da rua se mostram em seus personagens rotativos: o bacana, o largado, a intocada, o intelectual, os descolados e os colados, os consumistas, as dançarinas do amor e os malabaristas do cotidiano, entre qualquer representante de outro estilo que se possa imaginar.

A cada quarteirão, os sentimentos mudam, acompanhando as novas imagens.

Resolvi, então, fazer uma caminhada por toda a Augusta, saindo do número 1 (no centro) até chegar ao número 3.000 (no jardins), sem nenhuma pretensão e do jeito que mais gosto.

O início da rua já sinaliza que o diferente está por vir: uma praça com dois andares é no mínimo inusitada. O concretão da Roosevelt causa impacto.

Início da rua Augusta.

Inicio da rua Augusta.

No número 17, o grafite desbotando contrasta com a vista do vaivém alucinante da Radial Leste. É um retrato, ao vivo, da cidade que não para.

Andando um pouco mais, no número 325, o cartaz da Cia. Corpos Nômades confirma os contrastes: o espetáculo de dança contemporânea que dialoga com as culturas do carnaval e do hip-hop está em cartaz.

Ao lado, no 331, está o Club Noir. Mas a subida continua, e como continua! Logo aparece o aviso que a minha falta de pretensão “aguardava”: na esquina do 344, grafitado na parede, “Tente ver”.

Surge um sebo (398) e o Studio SP (591), mas as casas simples, apagadas e algumas camufladas aguardam o fim do dia para tornar a região que vai do número 550 ao 900 o antro do prazer chanchado.

Vira virando, as marcas do tempo vão deixando alguns lugares de lado. O casarão do número 680 sente isso na pele, sem maquiagem e estacionado no tempo, mas com um charme que tem me chamado atenção. Ainda vou morar em um casarão em São Paulo!

Logo adiante, perto do Vegas Club (765), existe um belo espaço do grafite (do número 732 ao 748, e depois do 822 ao 848) que guarda um detalhe: só pode ser visto depois que os estabelecimentos fecham as portas, pois é lá que se encontram os desenhos. (mais…)

Entre livros e pinturas

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Por Luiza Delamare / Culturaria

É ali no número 102 da galeria Ouro Velho, localizada na Rua Augusta, que uma roda de amigos costuma se formar ao final da tarde. A turma, geralmente composta por quatro ou cinco amigos, se reúne no sebo “Nós três” para conversar sobre relógios antigos, maçonaria, a cidade de São Paulo e o que mais vier à cabeça. Mesmo assim, Maurício Eloy, 41 anos, conhecido como professor que vende livros, passa a maior parte do tempo na companhia de Oswald de Andrade, Fernando Sabino, Machado de Assis, entre outros grandes nomes da literatura mundial. Somando a biblioteca de sua casa e o que está à venda no sebo, ele fica cercado por mais de 4000 livros todos os dias.

Maurício Eloy no sebo Nós três.

Maurício Eloy no sebo Nós três.

O sebo, que já lhe rendeu contato com livros raros, como uma obra autografada por Di Cavalcanti e outra desenhada por Tarsila do Amaral, não se resume ao universo das letras: na vitrine e espalhadas por outros cantos da loja estão algumas pinturas e desenhos que Maurício fez. Há quinze anos ele pinta profissionalmente e já expôs suas obras em lugares como a I Mostra de Arte Moderna e Contemporânea de São Bernardo do Campo e o Museu Municipal de Mauá. (mais…)