Os cantinhos da cidade

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Por Luiza Delamare / Culturaria

Pedro Henrique Araújo


“O sanduíche de pernil do Bar e Lanches Estadão é ótimo, mas as carolinas (aqueles pequenos bolinhos recheados de doce de leite com cobertura de chocolate) de lá são pouco conhecidas e deliciosas”, recomenda Pedro Henrique Araújo.

Fã de um bom quindim, o jornalista de 23 anos sugeriu que a nossa conversa acontecesse na esquina das ruas Cardeal Arco Verde e Simão Álvares, no bar do Zé, lugar que considera um de seus cantinhos na cidade de São Paulo. Enquanto nos deliciávamos com a empanada que é servida no bar e seguíamos a arte arriscada de comer e falar, brigávamos com o Jorge Ben que saia das caixas de som da mesa ao lado e insistia em cantar “Minha menina” naquela versão com os Mutantes.

Em meio ao som das caixas de cerveja que eram arrastadas, do burburinho que se formava com a conversa das mesas ao lado, o barulho da chuva tipicamente paulista que cai no fim da tarde e a música, claro, Pedro me contou que tem uma relação muito forte com São Paulo.

Além da descoberta de pontos gastronômicos, como restaurantes escondidos nas ruazinhas da Liberdade ou restaurantes de comida típica nordestina da zona norte, que não são necessariamente referência para a maioria das pessoas, a relação que ele tem com a cidade também é baseada em lugares com os quais, de certa forma, consegue construir uma intimidade.

Foi por ser mal atendido pelo dono da segunda banca da Paulista (para quem vem da rua da Consolação) que Pedro teimou em passar lá outras vezes para testar a paciência do vendedor. E a banca, que  se tornou uma referência para ele,  agora é mais um dos lugares em que ele passa e tem uma história para contar. Em meio ao clima de anonimato e desapego, criar esses laços é uma maneira de se apropriar da cidade do jeito que ela mais parece gostar, tornando-a única.

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Foto do Dia – 08/01/10

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Por Flávio Lico / Fotograma2

Metrô

Metrô

Foto do Dia – 07/01/10

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Por Flávio Lico / Fotograma2

 

Túnel do Metrô

Túnel do Metrô

São Paulo gastronômica

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Por Luiza Delamare/Culturaria

Minha relação com a gastronomia me ajudou bastante a ver a cidade de um jeito diferente. A quantidade de restaurantes diferentes que existe em São Paulo é impressionante! Quando entrei na gastronomia, apesar de sempre ter frequentado restaurantes, comecei a ir a restaurantes pequenos, especialmente no centro da cidade, em bairros como o Bom Retiro, e mesmo em restaurantes de bairros que eu já conhecia, como a Vila Madalena. E descobri que não sabia como eles eram diferentes. Existem restaurantes gregos na cidade, por exemplo.

Gabriel Leicand

Gabriel Leicand

São Paulo tem essa dimensão que antes eu não conhecia, e a cidade vem crescendo nessa área. E nesse ponto minha maneira de ver a cidade se transformou. O mercado da gastronomia também tem outros mercados: a rua Paula Souza, por exemplo, é um lugar que pouca gente conhece, mas é uma rua gigante que vai dar na 25 de Março. Nessa rua você encontra todo tipo de utensílio para restaurantes e cozinheiros. A zona cerealista é uma região que também merece ser conhecida. Eu já conhecia bastante a culinária de São Paulo, a minha família sempre gostou disso.

Gosto muito de comparar as coisas. Quando morei em Paris, não via toda essa diversidade gastronômica que vejo em São Paulo, apesar de Paris ser referência de diversidade gastronômica para muitas pessoas. Se você souber procurar, São Paulo apresenta uma diversidade e uma riqueza maior. Paris tem uma riqueza gastronômica voltada para os ricos, enquanto São Paulo tem uma diversidade gastronômica que atende a todas as classes sociais. No Bom Retiro, existe o Acrópole, um restaurante grego onde um senhorzinho serve os clientes todos os dias e faz a clássica comida grega. Há restaurantes de todas as partes do mundo aqui. Apesar de ter conhecido a cidade mais pelos projetos sociais, eu passei a pensar mais a cidade a partir da gastronomia. (mais…)

A cultura paulistana do Bar Brahma

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Por Luiza Delamare/ Culturaria

Referência da noite paulistana. É assim que o Bar Brahma ficou conhecido ao longo das décadas de funcionamento na esquina da Avenida Ipiranga com a Rua São Luis.

Marco da esquina da Ipiranga com a São João

Marco da esquina da Ipiranga com a São João

As histórias e lendas que marcam o lugar com charme e elegância foram resgatadas pelos atuais donos, Álvaro Aoás e Luís Marcelo Lacerda, que conseguiram aliar a tradição do bar de reunir pessoas importantes da cultura paulista com a presença de um público que ultrapassa delimitações de faixa etária e até mesmo de classe social.

Hoje o Bar Brahma, reaberto desde 2001, reúne ao longo da semana shows de artistas que são símbolos da música brasileira, como Cauby Peixoto, Jair Rodrigues e Demônios da Garoa. O público jovem vai ao bar atrás de música, petiscos tradicionais, como o bolinho de bacalhau, bom atendimento, além, é claro, do chopp e do ambiente ideal para um happy hour.

A Esquina da MPB, uma das alas mais novas do bar, é um espaço para a canção brasileira e palco de novas tendências do cenário musical. “Num cruzamento tão famoso, a Esquina da MPB surge como marco consolidador de linguagens e lançador de tendências da canção e de outras expressões da cultura brasileira”.

Mas o Bar Brahma, em sua história, não explorou a música ao vivo, não a tornou um dos principais atrativos. Essa é uma ideia nova, já que antes as pessoas procuravam o Brahma por ser um lugar de referência da noite paulistana, apesar de muitas vezes passarem horas ao som do piano que tocava um tango argentino.

O Brahma se consolidou, no passado, como um ambiente que atraía pessoas interessadas em tomar um uísque, uma cerveja, um chopp, pessoas que sabiam que poderiam encontrar ali gente interessante pra conversar e até mesmo para discutir e desenvolver projetos artísticos. É por isso que dizem que Adoniran Barbosa costumava rabiscar guardanapos compondo algumas de suas letras no bar Brahma. (mais…)

A multiplicidade de Carlos Careqa

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Por João Cotrim / Luiza Delamare

Conheci Carlos de Souza, ou melhor, Carlos Careqa, à meia-noite de um agradável sábado de outono. Estávamos eu e minha equipe aguardando-o no calmo e quase vazio viaduto Santa Ifigênia.  Naquela hora, somente um par de policiais em seu posto e um ou outro transeunte displicente passavam por ali. Estávamos no meio das gravações de um curta-metragem sobre pessoas e suas identidades, suas impressões sobre a vida, a cidade.

Carlos Careqa

Carlos Careqa

Iluminado pelas luzes amareladas e preguiçosas dos postes do viaduto, ele se apresentou. Simpático e descontraído, como quem caminha a passeio respirando o ar puro e tranquilo de uma praça de cidadezinha do interior. “Esse lugar é super seguro”, disse ele, “o pessoal vem andar de skate, eu vinha andar de bicicleta, é muito legal”. Àquela hora, o viaduto Santa Ifigênia estava maravilhoso. “É o paraíso sem camelô. Aqui é muito bonito. É uma pena que de dia seja muito maltratado, muito poluído. Os paulistanos têm medo de vir aqui. Como eu não sou paulistano, então…”  E de onde você veio?, alguém pergunta. “Ah! Eu nasci em Santa Catarina e me criei em Curitiba. Tô aqui há 17 anos”.

De camisa branca, folgada, calça leve, sapatos confortáveis e cabelos revoltos na mistura do preto, grisalho e do branco, o ator, músico, compositor e produtor estava como que preparado para uma desenvolta batalha. Ele, munido com suas palavras e filosofias, respostas e reflexões engatilhadas. Eu, com minha pequena e singela câmera inquieta, curiosa, questionadora, procurando ângulos que melhor revelassem a essência da identidade de Careqa. Nós na arena escolhida estrategicamente por ele. Seu atual território. Espaço público, cartão postal. Estrutura metálica de ferro fundido e forjado, belga, sobre um verde vale, brasileiro, Anhangabaú, um dos principais jardins da cidade, no centro da megalópole confusa que é São Paulo.

Mesmo tendo saído de Curitiba ainda jovem e morado em Nova Iorque e Berlim, Carlos nunca havia pensado em morar na capital paulista por ter medo daqui. “Não conhecia São Paulo”, disse ele. “Só o que se divulga daqui é o trânsito pesado, as favelas, a violência. As partes boas e bonitas da cidade ninguém divulga. Mas quando decidi vir para cá, gostei. Hoje, adoro São Paulo. Esse lugar, por exemplo, é um dos lugares que muitos paulistanos não conhecem como eu conheço. E podiam conhecer, né? O viaduto é um lugar aprazível pra se passear à noite”. (mais…)

Você que faz a sua cidade!?

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Por Alexandre Osser / Culturaria

AlexandreNão faço a menor ideia do porque viemos parar aqui no tal do Planeta Terra; quem sabe um dia eu resolva entender melhor e consiga dizer algo. O que sei é que estamos aqui, vivendo e escolhendo.

Há poucos dias, completamente parado e curtindo o trânsito das onze da noite de terça feira na Avenida Paulista, fiz a seguinte indagação, em um tom alto, aos meus colegas de trânsito.

“São onze da noite de terça feira, estamos cruzando a Avenida Paulista e tudo está completamente parado. Eu só quero chegar logo ao churrasco. Todos aqui têm churrascos pra ir? VÃO PARA SUAS CASAS. Deixem o trânsito livre para aqueles que têm que ir a churrascos.”

Veio o silêncio, ninguém me respondeu. Abri o vidro do carro para tomar um ar e escutar as buzinas soarem.

Não adiantava reclamar, havia optado por tal situação, aquela era “minha cidade”, por mais que eu não esperasse tal momento de trânsito, optei por passar por ela, meu churrasco seria muito bom. Existiam outras opções que poderia ter escolhido, mas preferi aquela.

Por mais que não pareça, minha indagação foi um momento tranquilo e relaxado; minha relação com a cidade está mudando. Coloquei o cd da Elza Soares e ao som da música Boato, curti o momento aguardando o transito fluir, sem ressentimentos. (mais…)

Pequenos detalhes do cotidiano cultural de Dina

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Por Luiza Delamare / Culturaria

O sanduíche de carne-louca do bar da praça Roosevelt, reconhecido pelos clientes assíduos como uma das melhores opções de petisco da cidade, pode demorar mais tempo para chegar às mesas dos fundos.

Dina trabalha no bar Papo, Pinga e Petisco

Dina trabalha no bar Papo, Pinga e Petisco

É que todas as vezes que o garçom responsável por esse setor passa por Dina, faz questão de trocar algumas palavras de afeto com a senhora que em julho completou 67 anos. Para ela, a explicação de tanto carinho está nos astros: “Sou canceriana, né? Todo mundo gosta de mim!”.

A mineira, que já trabalhou como babá, doceira, fez limpeza no restaurante Nova Pequim (que na época ficava na rua da Glória) e passou mais de oito anos em uma grande metalúrgica do ABC, guarda seus livros com carinho atrás do balcão do bar para lê-los quando não está no comando da limpeza do bar. Depois de perder o único filho no fim do ano passado, ela diz que tem apenas duas coisas na vida: o trabalho e seu gato Garfield, que recebeu esse nome por ser “loirinho como o personagem do desenho animado”.

Depois de uma desilusão amorosa em Governador Valadares, sua cidade natal, Dina veio pra São Paulo.

Trabalhar na praça Roosevelt deixa Dina mais próxima do mundo das artes: é lá que ela conversa sobre música e teatro com os frequentadores do lugar. “Aqui a gente aprende muito e é só parar para conversar com esse pessoal jovem e simpático que vem aqui para descobrir uma coisa nova ou repensar uma antiga”, diz. (mais…)

Crescimento pessoal e desenvolvimento coletivo

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Por Luiza Delamare / Culturaria

Morador do bairro da Barra Funda, Pedro Pracchia trabalha na região de Pinheiros e passa algumas horas da semana na Vila Sabrina, situada no subdistrito de Vila Medeiros, zona norte de São Paulo. Estudante de jornalismo, Pedro se envolveu com coletivos de arte (iniciativas de artistas que, coletivamente, viabilizam projetos de ocupação e exposições em espaços não convencionais) quando decidiu o tema de seu trabalho de conclusão de curso: as mazelas da produção cultural independente de São Paulo.

Pedro Pracchia

Pedro Pracchia

A descoberta do coletivo Sinfonia de Cães mudou sua rotina. O coletivo, que tem o objetivo de usar a arte como modificador social em diversas formas de expressão e para o maior número de pessoas, encontrou um lugar adequado para aplicar sua proposta: o Centro Independente de Cultura Alternativa e Social (Cicas). Trata-se de um local usado pela juventude da zona norte, que transformou um galpão abandonado, que servia para o uso de drogas, em um centro cultural onde os moradores da região têm acesso à arte e cultura, aulas e oficinas, shows, mostras de fotografia e cinema, atividades infantis e dança.

Há seis meses, Pedro trabalha no Cicas. “O público alvo é a comunidade das COHABs do entorno e quem está por lá produzindo. O retorno não é financeiro, é o aprendizado. Já fiz muita coisa. O Cicas é totalmente horizontal, e a demanda de trabalho nunca acaba. Quando você se dispõe a trabalhar por lá, arca com tudo que tiver afinidade/experiência. Já participei de construção de horta, fiz almoço, pipoca, oficinas, cines… Ultimamente tenho feito o jornal, que divulga os eventos e mostra o que é feito dentro do Cicas. Deve sair no fim de outubro com 5 mil cópias de tiragem”, explica. (mais…)

Foto do Dia – 02/12/09

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Por Flávio Lico / Fotograma2

 

Foto: Flávio Lico

Foto: Flávio Lico