Por Luiza Delamare / Culturaria
“O sanduíche de pernil do Bar e Lanches Estadão é ótimo, mas as carolinas (aqueles pequenos bolinhos recheados de doce de leite com cobertura de chocolate) de lá são pouco conhecidas e deliciosas”, recomenda Pedro Henrique Araújo.
Fã de um bom quindim, o jornalista de 23 anos sugeriu que a nossa conversa acontecesse na esquina das ruas Cardeal Arco Verde e Simão Álvares, no bar do Zé, lugar que considera um de seus cantinhos na cidade de São Paulo. Enquanto nos deliciávamos com a empanada que é servida no bar e seguíamos a arte arriscada de comer e falar, brigávamos com o Jorge Ben que saia das caixas de som da mesa ao lado e insistia em cantar “Minha menina” naquela versão com os Mutantes.
Em meio ao som das caixas de cerveja que eram arrastadas, do burburinho que se formava com a conversa das mesas ao lado, o barulho da chuva tipicamente paulista que cai no fim da tarde e a música, claro, Pedro me contou que tem uma relação muito forte com São Paulo.
Além da descoberta de pontos gastronômicos, como restaurantes escondidos nas ruazinhas da Liberdade ou restaurantes de comida típica nordestina da zona norte, que não são necessariamente referência para a maioria das pessoas, a relação que ele tem com a cidade também é baseada em lugares com os quais, de certa forma, consegue construir uma intimidade.
Foi por ser mal atendido pelo dono da segunda banca da Paulista (para quem vem da rua da Consolação) que Pedro teimou em passar lá outras vezes para testar a paciência do vendedor. E a banca, que se tornou uma referência para ele, agora é mais um dos lugares em que ele passa e tem uma história para contar. Em meio ao clima de anonimato e desapego, criar esses laços é uma maneira de se apropriar da cidade do jeito que ela mais parece gostar, tornando-a única.







Não faço a menor ideia do porque viemos parar aqui no tal do Planeta Terra; quem sabe um dia eu resolva entender melhor e consiga dizer algo. O que sei é que estamos aqui, vivendo e escolhendo.

