Por Luisa Marques / Culturaria
O conceito de exposição mudou drasticamente há mais ou menos 30 anos. Desde a década de 60, artistas das mais variadas linguagens tem se interessado pelo uso do computador em seus processos de criação.

Mar, obra do artista convidado Caetano Dias
A palavra exposição, em primeiro lugar, nos dá a idéia de algo que está sendo exposto, apresentado, mostrado. Logo, é algo que não se deve tocar, nem participar. É algo pra se ver de longe, afastado. A mostra LABMIS vem mostrar justamente o contrário. Na arte contemporânea, a interação e a participação do visitante é necessária em quase todas as obras.
A videoarte já se tornou um modo difundido de questionar os clichês próprios da TV e do cinema tradicionais. Neles a imagem é um produto arquitetado para ser consumindo, excluindo-se aí, a capacidade de interação com o público. A videoarte uniu todo tipo de expressão artística, seja ela de dança, teatro, performance, em torno dos recursos de edição de vídeos que, associados aos dispositivos tecnológicos, recriam o próprio fazer artístico.
O Laboratório de Novas Mídias do Museu da Imagem e do Som, o LABMIS, foi criado para promover a reflexão, o intercâmbio e a experimentação em novas tecnologias na arte, trazendo ao público a ligação que existe entre arte, ciência e tecnologia. O laboratório também oferece, em meio à sua programação, oficinas, cursos e residências artísticas.
A Mostra LABMIS, em exibição até 03 de janeiro de 2010, apresenta o resultado dos artistas residentes Anaisa Franco, Claudio Bueno, Felipe Sztutman, Rodrigo Bellotto, Guilherme Lunhani; e dos comissionados, Alexandre Fenerich, Caetano Dias, Paulo Meira.
No Espaço Redondo do MIS, espécie de vitrine onde artistas do Brasil e do exterior expõem obras inéditas, o público pode conferir a mostra de Pipilotti Rist, uma das principais expoentes da segunda geração da videoarte mundial. Pipilotti é suíça e ganhou projeção na década de 1980, quando passou a desenvolver instalações audiovisuais de grandes proporções e imersivas.
A videoinstalação “A Liberty Statue for London” mostra a viagem da personagem pré-histórica, Pepperminta, desde sua saída do Éden até uma cidade européia da época atual. O diálogo entre esses dois períodos fica evidente na sutileza das imagens, que transitam entre a natureza e a cidade.
A instalação de Pipilotti foi especialmente adaptada para o Espaço Redondo. Uma seqüência de redes, dessas de praia, onde podemos simplesmente deitar e relaxar, convida o público a experimentar um momento único. Todas as redes estão dispostas de modo a convergir para um globo localizado no centro do Espaço, no chão, de onde saem projeções direcionadas para o teto, para onde o espectador pode se deixar absorver pelas imagens projetadas. (mais…)