Sampoemas. A Comemoração do aniversário de São Paulo na Casa das Rosas.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Por Luisa Marx / Culturaria

Quem disse que uma exposição é feita de múltiplas obras espalhadas pelo ambiente de uma galeria ou museu, ou penduradas em paredes? Uma exposição pode ser uma tela com projeções em vídeo de poesias.

Performance de Juliana Barros.

Performance de Juliana Barros.

O nome mais usual que se dá pra isso é videopoesia. Uma sequência de imagens e música funciona como a roupagem de um texto poético que, ao invés de ser simplesmente declamado, se vale de outros recursos simbólicos para expressar sua mensagem.

A exposição, intitulada “PoemaPopauliceiaImagemPlateia”, foi composta pelos artistas Cláudio Daniel, Cláudio Willer, Décio Pignatari, Élson Fróes, Horácio Costa, Luiz Roberto Guedes, Reynaldo Bessa, Reynaldo Damazio, Roberto Piva, Ruy Proença e Virna Teixeira. As fotografias que compuseram os poemas foram feitas por Beto Riginik, Kiko Coelho, Maurício Paiva e Paulo Henrique Pampolim.

Um dia antes do aniversário de 456 anos de São Paulo, a Casa das Rosas, um dos mais significativos núcleos de arte da cidade, comprovou sua intenção de fazer do local um espaço de congregação de diversas formas artísticas.

O evento realizado no dia 24/01/10 teve de tudo um pouco. De performances artísticas, a shows de música, exposição de videopoesia e pintura ao vivo, o público, que não se intimidou pela forte chuva, pôde apreciar a pluralidade artística da metrópole.

Ao mesmo tempo da exposição de videopoesia, Sergio Fabris iniciava a pintura de um painel em homenagem a São Paulo. O artista – de quem já falamos aqui na sessão Minha São Paulo – deu uma mostra ao vivo de como é seu processo de criação. Com direito a declamação de poesia de Maiakovski, o painel foi feito em 50 minutos e trouxe um pouco da poesia concreta e da arte abstrata. (mais…)

Cow Parede: as vacas de volta ao cotidiano da cidade

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Por Luiza Delamare/Culturaria

O trajeto cotidiano de quem passa pelas avenidas Paulista e República do Líbano, entre outras, ganhou arte e bom humor desde o dia 22 deste mês com o Cow Parade, uma exposição que traz 90 vacas projetadas por artistas plásticos locais para tornar a arte mais acessível às pessoas que vivem nas grandes cidades.


QR-COWde

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Diferentemente dos graffitis, que encontram nas ruas de São Paulo o espaço para a expressão de uma realidade, e que ganham sentido ao se inserir no próprio contexto da cidade, sendo chamados de arte urbana, as esculturas do Cow Parede parecem ter o efeito de suspender as pessoas do cotidiano, já que elas se deparam com obras de arte no meio do caminho. Além disso, o que também chama a atenção é o formato das esculturas, um elemento tão incomum nas metrópoles: a vaca.

De acordo com os organizadores, “há algo de mágico sobre a vaca. Ela representa coisas diferentes para pessoas diferentes ao redor do mundo: é sagrada, é histórica, mas o sentimento comum é de carinho. Ela simplesmente faz todos sorrirem. Servindo como uma tela de arte, não existe nenhum outro animal ou objeto que fornece a forma, flexibilidade e amplitude de uma vaca. As três formas (de pé, pastando, repousando) fornecem aos artistas ângulos e curvas para criarem obras de arte únicas. Seu modelo também permite que ela seja caracterizada. Ela pode se transformar em outros animais, pessoas ou objetos”. (mais…)

A Videoarte de Gary Hill: instalações multimídia tomam conta do MIS

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Por Luisa Marx / Culturaria

Não é a primeira vez que falo sobre videoarte por aqui. E existe uma razão especial para isso. É natural que a arte se desenvolva de acordo com o avanço tecnológico de cada época. Marshall Macluhan, um dos maiores pensadores do século XX, já se referia em 1964 aos meios de comunicação como extensões do homem.

O público falando com Gary Hill via Skype

O público falando com Gary Hill via Skype.

O MIS São Paulo tem papel fundamental nessa nova fase da arte contemporânea, estando aberto a todo tipo de inovação. A promessa de inauguração do MIS Rio de Janeiro, para daqui a dois anos, em meio à praia de Copacabana, vem confirmar o passo que o Brasil está dando em favor da promoção da arte tecnológica e híbrida.

Gary Hill é dos um artistas que despontou na década de 70 como um dos primeiros expoentes da videoarte no mundo. Seu trabalho vai desde esculturas ao uso de mídias eletrônicas para a composição de instalações multimídia. Suas obras geralmente enfocam o corpo humano, a exploração dos sentidos e do espaço onde suas obras estão inseridas, e a interatividade com o público.

Quando entramos numa galeria de arte estamos habituados a observar, cercar as obras, atrás, à frente, dos lados, para perceber todos os ângulos de visão que nos são oferecidos. No cinema, ou assistindo televisão, estamos postados frente a tela. E nada mais nos é oferecido além de observar.

A videoarte fundamenta-se na mudança desse ponto de vista, fundindo as características naturais da observação nesses dois níveis. Numa exposição de videoarte nós observamos e andamos por entre as obras, mas somos surpreendidos por elas. E muitas vezes elas passam por nós, como em “Unconditional Surrender”, feita por Gary para o Espaço Redondo do MIS. “O mundo virtual atropela a gente no real. São 270 graus de situações em movimento”, diz Marcello.

O barato dos trabalhos de Hill é a possibilidade de um novo tipo de sensação, onde a sequencia de imagens e sons que os vídeos projetam criam uma movimentação que invade a galeria e torna a experiência do observador mais dinâmica.

A mostra “Gary Hill: Circumstances/Circunstâncias” não é uma retrospectiva do autor, afirma o curador Marcello Dantas. “Foram escolhidas obras de 1996 pra cá, período em que Gary passou a trabalhar com o limite do olhar para o outro, com o limite corporal, físico”. (mais…)

São Paulo e Florian Forster: um reencontro visual

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Por Luiza Delamare / Culturaria

Quando li a primeira vez as palavras do artista alemão Florian Foerster sobre a cidade de São Paulo lembrei-me das minhas viagens fora de minha cidade natal e do exercício que sempre me propus a fazer de reparar nos detalhes do lugar, sentir o cheiro, observar as cores, andar nas ruas para me inserir no cotidiano de determinada cidade, conversar com pessoas e perceber um cotidiano diferente daquele em que me insiro.

“São Paulo: interiores, exteriores e entrementes”

“São Paulo: interiores, exteriores e entrementes” apresenta pinturas, gravuras e desenhos feitos com base em observações e experiências das viagens de Florian Foerster a São Paulo iniciadas no início dos anos 90. São experiências de um outrem em um país diferente, com novas perspectivas, novas cores, novas pessoas, novas culturas. Um olhar estrangeiro de uma cidade tão nossa.

Florian Foerster, em uma de suas visitas, anotou “Brás. Ruas estreitas e densas durante o dia, prédios industriais baixos, o cheiro de alho e madeira, sons de embalar, cortar e mover. Um mercado contínuo emoldurado pelo rio amarelo esverdeado, as linhas de trem e o skyline do Centro. Um espaço transitório, vazio nos finais de semana e à noite, um local de trabalho, de barganha com motivos secretos ou não, um lugar para deixar. Lembranças das grandes cidades do norte da Inglaterra originalmente trazidas à vida pelos imigrantes que seguiram seu velho sonho de melhorar de vida. Arquitetura utilitária emoldura atividades comerciais, um local de trabalho manual e comércio, uma beleza rude e desbotada sem interesse no que está na moda e no design”. (mais…)

Zaven Paré: no limite entre arte e ciência

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Por Luisa Marques

Zaven Paré é um dos artistas da cena contemporânea que mais se aproxima dos recursos oferecidos pela ciência, utilizando conhecimentos de física, ótica, mecânica e robótica, para a criação de surpreendentes marionetes eletrônicas.

Zaven ensinando os alunos.

Zaven ensinando os alunos.

Paré é um inovador no ramo das artes. Com a criação das marionetes ele conseguiu propor uma nova maneira de fazer escultura, a escultura que é feita pra ter movimento, e abriu caminho para o teatro, levando marionetes e robôs para o palco. “O teatro de marionete eletrônica reforça a presença humana no palco. Causa uma reflexão sobre o teatro. A necessidade de redefinir o que é ator, o que é texto, diretor, cenografia”, afirma Paré

Ainda não existe um nome definido para o trabalho de Zaven. Questionado se o que ele faz é robótica ou escultura cibernética, ele respondeu: “tento não classificar. Considero-me um marionetista. O roboticista trabalha com a imitação, ele quer recriar o movimento, dar precisão ao movimento. As artes trabalham com a recepção no público, com a representação”.

Zaven trabalha no limite entre as artes visuais e a ciência. “Os artistas são um dos poucos que ainda podem ter dúvidas, experimentar. Ser cientista tem a ver com crédito social, financeiro, com objetividade”, afirma o artista.

O mais interessante no trabalho de Paré, é que a partir da criação de novos suportes tecnológicos, torna-se possível a “teatralização da tecnologia”, ou seja, o que antes ficava estático, agora ganha precisão de movimentos e até expressão, no caso da criação de clones a partir de rostos humanos.

O novo gênero de marionete eletrônica criado por Zaven é feito a partir do molde do rosto de algum ator, fixado sobre um suporte que recebe uma imagem desse mesmo rosto gravado em vídeo e manipulado por computadores. O efeito disso no palco gera a duplicação do próprio ator, que acaba por contracenar com ele próprio, ou seja, com seu clone.   (mais…)

Club Noir

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Por Luiza Delamare /Culturaria

Em meio ao clima underground, entre artistas que vendem suas obras na rua, camelôs que reproduzem cópias ilegais de filmes alternativos, bares que fervem do contraste de pessoas descoladas de todas as tribos, casas noturnas, luzes neon, teatros e hotéis está o Club Noir.

Teatro, música, café e literatura estão no Club Noir

Teatro, música, literatura e café

Quem desce a Rua Augusta desde a Paulista ou quem vem da Praça Roosevelt e quer chegar ao número 331 da Augusta, entre as ruas Marquês de Paranaguá e Caio Prado, já encontra um ambiente marcado pela criatividade, pela expressão viva que enche as paredes públicas com stencils coloridos, pelo burburinho das conversas que não cessam e pelos complexos culturais, que unem mais de uma forma de arte no mesmo espaço.

O Club Noir não poderia estar em um lugar mais adequado: a proposta de fazer apresentações teatrais e se tornar um ambiente de referência para a dramaturgia brasileira não o delimita como um teatro. A união do espaço do Club Noir, de Juliana Galdino, com o Café Noir Augusta, de Ricardo Grasson, transformou o lugar em uma casa de cultura.

Inaugurado em 2008 com a encenação da peça “O Quarto”, do prêmio Nobel de Literatura Harold Pinter, o Club Noir foi construído com os recursos do Programa de Fomento do Teatro. O espaço é uma conquista da companhia Club Noir, fundada por Juliana Galdino e Roberto Alvim. Além de abrigar ensaios, o lugar é a base para que os 12 artistas da companhia aprofundem suas pesquisas.

Juliana Galdino em "A terrível voz de satã"

Juliana Galdino em "A terrível voz de satã"

Lá também ocorrem oficinas gratuitas e permanentes para novos dramaturgos, como o estúdio de criação dramatúrgica, coordenado por Roberto Alvim, e o curso de atuação com foco na montagem de dramaturgia contemporânea, coordenado por Juliana Galdino. (mais…)

Teatro de Arena: a vanguarda da arte paulistana

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Por Luiza Delamare /Culturaria

“Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma”. As palavras de Augusto Boal, diretor de teatro e dramaturgo, traduzem o espírito e os ideais da vanguarda da dramaturgia brasileira que fizeram com que o Teatro de Arena nascesse. Em 1953 surgia em São Paulo, mais que um grupo ou uma companhia, uma nova concepção de teatro.

Fachada do Teatro de Arena

Fachada do Teatro de Arena

Ao tentar refletir a sociedade da época e trazer para o palco a linguagem e o cotidiano das pessoas da classe média e das camadas sociais com menor poder aquisitivo, o Teatro de Arena, inaugurado em 1955, imprimiu no espaço da rua Theodoro Baiman a ideia de dar voz à população: sua configuração espacial já colocava os espectadores como parte do cenário e até mesmo como parte das peças,  as cenas se prolongavam até as arquibancadas e exploravam a busca por uma nova proposta estética que se realizava nas diversas possibilidades de encenação daquele teatro. 

“Era preciso apresentar produções de baixo custo em contraposição ao tipo de teatro que se via praticado pelo TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), que apresentava um repertório internacional na maior parte, com produções sofisticadas. Por isso, o Teatro de Arena surge não só com uma nova proposta estética, mas também como uma nova proposta política”, diz Mauro Martorelli, diretor técnico do Teatro de Arena.

Além de Gianfrancesco Guarnieri, outro nome importante no processo de construção da identidade do Teatro de Arena foi Plínio Marcos, que dizia que o “teatro só faz sentido quando é uma tribuna livre onde se pode discutir até as últimas consequências os problemas dos homens”. Plínio Marcos despejou em palavras a vida dos excluídos e escancarou temas como homossexualismo, violência, prostituição em uma linguagem impactante que era constantemente encenada.

Com o sucesso da peça Eles Não Usam Black-Tie surgiu o movimento Seminários de Dramaturgia, que tinha o objetivo revelar e expor a produção de novos autores brasileiros. Augusto Boal, que tinha acabado de chegar dos Estados Unidos, foi o diretor e dramaturgo central nesse processo. A partir daí, além de buscar uma dramaturgia nacional, passou a incentivar a nacionalização dos clássicos. (mais…)

A cultura paulistana do Bar Brahma

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Por Luiza Delamare/ Culturaria

Referência da noite paulistana. É assim que o Bar Brahma ficou conhecido ao longo das décadas de funcionamento na esquina da Avenida Ipiranga com a Rua São Luis.

Marco da esquina da Ipiranga com a São João

Marco da esquina da Ipiranga com a São João

As histórias e lendas que marcam o lugar com charme e elegância foram resgatadas pelos atuais donos, Álvaro Aoás e Luís Marcelo Lacerda, que conseguiram aliar a tradição do bar de reunir pessoas importantes da cultura paulista com a presença de um público que ultrapassa delimitações de faixa etária e até mesmo de classe social.

Hoje o Bar Brahma, reaberto desde 2001, reúne ao longo da semana shows de artistas que são símbolos da música brasileira, como Cauby Peixoto, Jair Rodrigues e Demônios da Garoa. O público jovem vai ao bar atrás de música, petiscos tradicionais, como o bolinho de bacalhau, bom atendimento, além, é claro, do chopp e do ambiente ideal para um happy hour.

A Esquina da MPB, uma das alas mais novas do bar, é um espaço para a canção brasileira e palco de novas tendências do cenário musical. “Num cruzamento tão famoso, a Esquina da MPB surge como marco consolidador de linguagens e lançador de tendências da canção e de outras expressões da cultura brasileira”.

Mas o Bar Brahma, em sua história, não explorou a música ao vivo, não a tornou um dos principais atrativos. Essa é uma ideia nova, já que antes as pessoas procuravam o Brahma por ser um lugar de referência da noite paulistana, apesar de muitas vezes passarem horas ao som do piano que tocava um tango argentino.

O Brahma se consolidou, no passado, como um ambiente que atraía pessoas interessadas em tomar um uísque, uma cerveja, um chopp, pessoas que sabiam que poderiam encontrar ali gente interessante pra conversar e até mesmo para discutir e desenvolver projetos artísticos. É por isso que dizem que Adoniran Barbosa costumava rabiscar guardanapos compondo algumas de suas letras no bar Brahma. (mais…)

Augôsto Augusta: o espaço da experiência cultural

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Por Luiza Delamare / Culturaria

Uma caminhada atenta pela Rua Augusta pode render uma excelente descoberta: a Augôsto Augusta Cultural. Livraria, galeria informal e núcleo de reflexão sobre arte e cultura, a Augôsto Augusta, aberta em 1968, já é conhecida por artistas e pessoas que tem grande intimidade com o mundo da arte. Mas para as gerações mais novas, que estão acostumadas a grandes redes de livrarias, o lugar pode ser um achado e se transformar em uma nova referência cultural da cidade.

O espaço do encontro com a arte

O espaço do encontro com a arte

Localizada em um dos polos culturais da cidade, a região da Avenida Paulista, entre salas de cinema, livrarias, cafés com pessoas interessadas em jogar assunto fora e discutir o cotidiano da cidade, teatros está a Augôsto Augusta, um espaço discreto e muito aconchegante que tem a proposta de reunir pessoas interessadas em pensar, discutir, aprender, entender e viver a arte e suas manifestações.

Para quem já sabe qual será o próximo livro de cabeceira ou está a procura de um CD específico, o espaço é ideal: as obras artísticas mais importantes podem ser encontrados na Augôsto Augusta, que reúne uma coleção referencial de livros sobre artistas, fotografia, design, moda e arquitetura, um acervo de gravuras e telas de grandes nomes brasileiros dos anos 60 e 70, como Aldemir Martins, Newton Mesquita, Claudio Tozzi, Tuneu, Marcelo Grassman e CDs e DVDs selecionados para os apreciadores das manifestações mais incomuns da música e do cinema.

Para quem ainda está descobrindo os prazeres da arte, o lugar também é indicado. Além de saber que tudo que está na Augôsto Augusta proporciona uma experiência cultural, os clientes de primeira viagem podem aproveitar as pessoas que trabalham no lugar para descobrir histórias de obras de artes que estão expostas, pedir indicação de uma boa leitura ou mesmo sentar e trocar ideias com  Regina Berjuhy, a dona da loja, ou ainda ouvir a história de Salvador, vendedor que trabalha na lugar há mais de 30 anos. A relação de Salvador com a arte começou quando ele, ainda pequeno, se encantou com a música de Beethoven. E, com uma ajudazinha do destino, ele acabou indo parar na Augôsto Augusta para vender livros e nunca mais saiu de lá. Além de ampliar seu conhecimento cultural, foi de lá que ele tirou mais de 300 livros de arte que hoje estão em sua casa. (mais…)

Outros Carnavais, as histórias da maior festa popular do Brasil

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Por Luisa Marques / Culturaria

O carnaval é um dos elementos culturais do Brasil que mais representa uma imagem criada há anos do que seriam os brasileiros. Um povo festeiro, espontâneo e alegre. O lado religioso está na raiz da comemoração, mas os cultos e a própria festa sofreram mudanças ao longo dos anos, nos diferentes estados do país.

O amor pelo samba.

O amor pelo samba.

A briga entre o sagrado e o profano coloca em jogo os rituais dos negros e as imposições da Igreja Católica aos cultos pagãos. No Brasil, o desfile feito com máscaras e fantasias sofreu influência européia, mas os costumes e a religiosidade africana tiveram papel fundamental no carnaval brasileiro.

A partir de uma longa pesquisa cultural das tradições brasileiras relacionadas ao carnaval, o diretor Luiz Paulo Lima desenvolveu o documentário Outros Carnavais. Em suas andanças, Luiz encontrou fragmentos de histórias esquecidas ao longo dos anos, ou postas de lado, em nome da evolução do carnaval para um desfile mercadológico. 

Outros Carnavais é a primeira parte de uma trilogia, que será gravada ainda no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, todos tendo o mesmo objetivo de captar os sotaques e as histórias de cada região. No Rio Grande do Sul, terra natal de Luiz, ele nos conta que lá, a relação religiosa com o carnaval era muito grande. O mesmo batuque de terreiro realizado nos morros do Rio de Janeiro, também eram realizados após os rituais de Umbanda.

No sul do país, a influência indígena, e branca cisplatina dão, no entanto, outra tonalidade ao carnaval. “Eu quis mostrar que existem contrapontos, coisas acontecendo simultaneamente. Encontrei no Rio Grande do Sul o batuque no fundo de quintal, anterior à aquilo que sempre disseram que nasceu no Rio de Janeiro”, afirma o diretor.

Luiz Paulo começou quebrando um formato mais usual de se fazer documentários. Excluiu o narrador da história e a ordem cronológica dos fatos. Luiz quis ampliar o número de possibilidades existentes ao se falar nesse tema. Seu objetivo maior era mostrar o que tinham a dizer as pessoas que participaram do início das primeiras escolas de samba no estado de São Paulo, dar visibilidade às suas mais íntimas vivências.

No documentário, Luiz aborda a partir dos depoimentos de alguns expoentes da Velha Guarda, das principais escolas de samba de São Paulo, os costumes da época em que a união das escolas e da comunidade formava a festa.

Contrapondo uma história popular de que as pessoas iam pra Igreja de Pirapora do Bom Jesus, em São Paulo, fazer as atividades religiosas antes de irem ao barracão curtir o batuque, Luiz achou uma versão diferente, de pessoas que diziam que iam direto pra festa. “O senso comum não é o que me moveu pra escrever o roteiro, pra pensar o argumento. Bastou um falar uma coisa diferente, que pra mim virou um ponto de vista importante”, afirma Luiz. (mais…)