por Pedro Pracchia

Está nos muros cinzas por aí: “a gente precisa ver mais a cidade”.
São Paulo é uma metrópole caótica. São 800 novos carros em circulação por dia, um transporte público que nos horários de pico é equiparável a latas de sardinha em combustão e uma desigualdade sociocultural que beira o impossível. Um frenesi de milhões de pessoas se movimenta cotidianamente e não deixa a cidade dormir. Nem parar de trabalhar.
Nas paredes da cidade, alguns ativistas da qualidade de vida alertam: “Você passa mais tempo no trânsito do que com a sua família”. A frase do grafiteiro Mundano salienta a questão dessa primeira coluna: Por que não deixar o carro em casa e ir conhecer a cidade a pé?
Descobrir sebos, brechós, mensagem que pedem “mais amor, por favor” e enfatizam que “o amor é importante, porra!”. São Paulo é uma galeria de arte a céu aberto. Artistas que pintam pelos alicerces do minhocão e prédios abandonados expõem seus trabalhos em galerias pelo mundo.
Recentemente o americano Jay Milder, considerado um dos seis maiores expressionistas norte-americanos vivos e como um dos disseminadores da action painting, grafitou junto com o paulistano Kobra um mural na Av. Rebouças sobre a Arca de Noé, tema recorrente em seu trabalho. Uma pintura de Milder chega a valer 500 mil dólares. Um andar a pé pela calçada, parar e dialogar com a arte que colore o cinza da cidade não custa nada.

Jay Milder
Vá achar ali, no meio da Bela Vista, uma padaria italiana com a melhor linguiça curtida da cidade. Encontrar no meio da Cohab da Vila Sabrina e do terminal de cargas Fernão Dias um centro cultural. Se embrenhar nas vielas grafitadas, conhecer pontos de cultura além das marginais e entender que o underground hoje passa longe do circuito Augusta. As cenas de cultura mais duradouras da cidade acontecem longe do centro, onde existe maior carência de conhecimento.
Deixe o hype na gaveta. Aposente o seu guia. Vá atrás de um entretenimento de vanguarda, que pode estar num sarau ou num papo de futebol no bar da esquina da sua casa.

Pedro Pracchia…
Dificil, não amar São Paulo, tudo aqui respira, esmaga, ataca.Cada bairro, cada pedaço desse mar de aço e cimento, conta sua historia, respira sujeira preta dos escapamentos. Parabens PP, seu texto diz tudo, só quem vive e conhece um pouco de Sampa sabe do que você fala…
Abrs. Saudades.
Faaaala seu socialista de merda…rsrs…e ae irmão blz? como andam as coisa por ai?? Bem loko o seu post viu…vi o comentário no twitter do zé e resolvi dar uma olhada…
mande noticias…
abrass
são paulo tem muitos gênios e laboratórios anônimos. foda essa anonomicidade toda. no nordeste uma faixa vai e outra vem e vc da um farolzinho amigo pra cada carro q passa. aqui é 7 pistas e ninguém se conhece, e não tem um belo portal “BEM VINDO A SÃO PAULO”. vc tem q sacar q entrou na babilonia, e foda-se seu bem-estar ou algo do tipo. por isso, a gastronomia paulistana é tão legal. e os sebos, brechós, galerias a céu aberto, galpões pichados, castelinhos abandonados, etc etc. é o momento histórico que importa, e é tudo feito de gente… o copan é praticamente um amontoado de ossos vivos.
Parabéns pelo texto!
São Paulo merece mesmo ser observada e sentida!
ó São Paulo..
ao mesmo tempo que esmaga seus moradores com sua velocidade de crescimento
agasalha em braços do amor.., amor que vem até do muro..
dá para se respirar.. por isso que a galera fica para criar tanta
coisa boa para o coletivão.
Parabéns pela viagem rápida para Capital Pê.
Adorei
Beijos
A grande maioria só enxerga…poucas são as pessoas que conseguem ver e sentir a beleza da cidade como ela merece, uma obra de arte em cada muro, em cada rua, em cada arvore florida, em cada esquina, em cada paulistano.
Tesão Velio! Parabéns.
galeria de céu aberto que os paulistanos não conhecem.
Cidade viciosa degradativa em estado irreversível, esse papo dos 800 carros é meio terrível.
Extoro Pedro
ABração
rg
excelente texto!
andar a pé realmente pode ser inspirador…
Adorei a coluna, Pedro!
Muito boa mesmo!!!
Viva o entretenimento de vanguarda. Amei a expressão!